Polêmica: Pesquisa aponta que crianças não gostam de palhaços
Saturday, January 26th, 2008Pois é…
Dia desses saiu no Terra, no IG e sabe D´us onde mais, uma “pesquisa” (entre aspas mesmo porque a amostra não me parece - nem de longe - representativa do universo supostamente estudado) feita (óbvio) na Inglaterra que afirma
“que crianças pequenas e até mesmo as mais velhas não gostam nem um pouco de palhaços, o que pode levar às lágrimas os populares personagens de circos, informam pesquisadores britânicos em um artigo divulgado na revista Nursing Standard(…)”
As pérolas do texto, divulgados pela Reuters, prosseguem:
A pesquisa foi idealizada por professores da Universidade de Sheffield que tentaram encontrar a melhor forma de decorar as enfermarias de um hospital infantil. O estudo identificou que 100% das 250 crianças entrevistadas, com idades entre 4 e 16 anos, disseram não gostar de palhaços, inclusive, as mais velhas, que os consideraram assustadores.
Para a professora Penny Curtis, que participou dos trabalhos, os adultos fazem suposições do que as crianças gostam, o que pode estar errado. “Descobrimos que os palhaços são realmente odiados pelas crianças por serem considerados assutadores”, afirmou.
Desnecessário dizer que por aqui - assim como em outros países - a comunidade circense não gostou nem um pouco…
Na lista Circomunicando, mantida pela ASFACI (Associação de Famílias e Artistas Circenses) o tema gerou diversas reações, como a do Mágico YAGO que brinca com a situação (considerada absurda por muitos), afirmando “que todo inglês, mesmo criança, tem ares de conservador” e que eles - os ingleses - “não aprendem a sorrir.”
Junior Perim, da ONG Crescer e Viver, complementa dizendo que “esta pesquisa na verdade aponta a necessidade do ingleses fazerem um pesquisa sobre o quê pode lhes fazer rir.”
Entre as inúmeras participações na discussão da tal “pesquisa”, se destaca ainda a de Alice Viveiros de Castro, renomada pesquisadora sobre o circo e palhaços e autora d´ “O elogio da Bobagem“:
“Basta lembrar o sucesso das iniciativas dos Doutores da Alegria pelo mundo afora e tantas outras que existem em hospitais.”
Ela nos conta que, durante o processo de pesquisa para o livro, se deparou “com figuras comuns a todas as culturas de seres assustadores, bocas imensas, narizes exagerados, olhos
arregalados, máscaras animalescas que participavam de rituais fúnebres ou outras cerimônias mais sérias. Em determinado momento eles invadiam o espaço da celebração gritando e assustando todo mundo. Mas com isso quebravam a seriedade do ritual e terminavam provocando o riso a partir do medo e do susto do primeiro momento.”
E - de quebra - ainda nos brindou com um excelente texto que, assim que ela autorizar, pretendo publicar por aqui.
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